quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Luto

Guerreiros travestidos de vagabundos
Inimigos travestidos de justiceiros
Até quando minha terra será tomada?

Andar pelas ruas e ver a apatia dos outros cabrestos
Gesso, mordaça, cegueira. Tristeza.
- Vagabundos!
"Eu lavo minhas mãos"
- Crucifiquem!

Quando a maior dor do mundo bate no peito de uma criança
A lágrima escorre em mim
Desmancho. Revolto. Sofro. Luto.

Estamos todos de luto
Estamos todos em luta
Tudo junto num só.

"Aba, Pai, tudo te é possível. Afasta de mim este cálice..."

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

2011 primaveras

Os meus girassóis nunca viveram tamanha sintonia
As minhas rosas nunca estiveram tão vermelhas
Nem tão rosas-chá, nem tão rosas, nem se quer antes eram flores
O sol nunca havia brilhado tão forte
E a chuva nunca fora tão molhada
Mas acima de tudo, os meus girassóis...
Ah... Os meus girassóis amarelos! Tão lindos! Tão amarelos!

Olhos

Esses olhos que comem toda a cor do mundo
Transportadores de toda luz
Refletores do qu'eu acho vida...
Se fecham pra um breve respirar, uma pausa...
E renascem, sempre, a cada instante

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Continua lindo em frente ao mar

Um beijo em frente a lagoa
Um poema uma canção
Olhos fechados pra erguer uma oração
O mar agora beija os pés
E continuo a rezar pra nosso Senhor
Veja os traços de Salvador
Retrato do Cristo Redentor

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Polinização

É um monstro, é uma pedra, é um gigante
Um aborígene, um corcunda, um verme, um deus
Uma corda, uma porta, uma torta
Uma salada, vida e obra
Uma metamorfose, é o poeta
Quando os homens gritam na terra e as sereias cantam no alto-mar
As flores murcham na grama, a grana rola na trama
Ponta firme de poeta, poema, lorota, canção
Segue sendo, está no vento d'alma
Da alma acalma a sofreguidão
Aprende tudo novo na novidade de ser sertão
Mesmo quando está ribeiro
Beirando o mar no outeiro
Aliteração
Aprendi que o poeta poetiza como a abelha poliniza

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sobre uma camiseta cinza

Queria ser apenas isso
Nem vermelha, nem branca, nem colorida,
Cinza.

Queria um cabelo cinza que roçasse na gola
Queria uma barba castanha e um olho furta-cores
Queria um artista
Queria o quinto "Beatle" do mundo seu
Queria um poema

Procurava alguém que a chamasse de flor
Queria ser só uma camiseta cinza
Talvez um óculos redondo pra dar base

Queria um pai, um irmão, um avó
Queria um namorado
Humpty Dumpty!
Nunca mais o maior abandonado

Queria umas cantorias
Queria umas pinturas
Gostava de arte
Humpty, Hemp!
Mas acima de tudo queria ser uma camiseta cinza.

Só isso.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sobre os Nós

Na minha vida a saudade fez morada, se instalou
Um dia volto pousar os olhos em você...
Pra distância da solidão se quebrar no calor do teu abraço
Desfaz o nó de mim, minha garganta arranha

Meu Nando, tua Cássia
Teu Oswaldo, minha Ana
John e outros dos meus planetas
Teu sono, Neruda e Saturno

A liberdade é o que não te-me deixa ir (...)

O sorriso mais lindo do mundo
Os olhos que me descobrem a alma
Minha paz imensurável, minha calma
Nosso fusca tá com as malas esperando, carregadas de panos e pratos
Bancos rubros, joia rara